Gosto especialmente de um texto de um antropólogo famoso, chamado Levi-Strauss, que demonstra como a teoria da relatividade, do físico ainda mais famoso conhecido como Einstein, pode ser aplicada as ciências humanas.
Ele usa o exemplo de trens, como estou longe de conhecer sistemas ferroviarios, teu raciocinarei com nossos famigerados onibus, aquelas latas onde nos esprememos como sardinhas para nos transportar de um lugar a outro por uma determinada cifra do que chamamos de dinheiro.
Em todo o caso, o sistema rodoviario não esta em questão nesse momento-texto.
O que Levi-Strauss tenta explicar é como uma cultura da importância a outra de acordo com o quanto elas se aproximam, no sentido e na velocidade do seu desenvolvimento, significando positivamente as semelhanças e, muitas vezes, se quer vendo os aspectos do seu desenvolvimento que passam em velocidade, mas no sentido contrario.
Mas essa ainda não é a questão, o que pretendo ( e necessito) analisar é como uma pessoa dá importância, e deixa de dar a outra, a luz dessa teoria.
E lá vão nossos ônibus, na rodoviaria os passageiros veem os tripulantes do ônibus ao lado perfeitamente, os ônibus estão parados, o rosto de cada um pode ser observado, cada minúcia pode ser analisada e é possivel você ver aquela conhecida logo ali sentada.
Imagine você então num ônibus, ele viaja, por exemplo da rodoviaria do plano piloto para São Sebatiâo (sim eu vivo pegando esses ônibus), imagine que no inicio da viagem ele trafegue junto de outro ônibus que também segue para São Sebastião (estou falando das linhas 180.1 e 197.3).
E então um dos ônibus arranca, você não ve mais o outro e ele perde toda a importância (uma dádiva da distância!) mas o seu ônibus também começara a viagem.
Como há um daqueles grandes eventos na esplanada o primeiro ônibus, por mais adiantado que saia, fica parado num engarrafamento provocado por uma blitz oportunista na ponte JK, o ônibus atrasado o alcança, você ve aquelas pessoas novamente, lá esta a conhecida, mas como os ônibus não estão parados não é possivel saber se o que ela lê é um livro, um panfleto ou sua própria tese de mestrado.
E então a blitz passa, na ponte JK os ônibus ficam lado a lado. Sim era a famigerada tese de mestrado, agora posta de lado,ela vai pegar alguma coisa, mas… mas seu ônibus vira em direção ao lago… lago sul.
Você ve o ônibus dela se afastar, não é possivel avistar e tem alguem mais interessante dentro do seu ônibus para você se ocupar.
A viagem prossegue, lá pelas alturas do Jardim Botânico o 197.3 reaparece, esta próximo, ambos param na mesma parada ( parada é como os gaucho chamam os pontos de ônibus).
É possivel ver agora quem de cada um deles desce, aquela pessoa não desceu, é óbvio… ela mora na mesma cidade que você.
Nesse momento passa um ônibus no sentido contrario, ele é rápido, não é possivel ver quem esta nele, é um objeto totalmente desinteressante, algo que você vai logo esquecer.
Agora estão os ônibus em seu trajeto previsivel. É quase possivel flertar aquela garota atraente, se ela ao menos percebesse a sua existência! Tem algo mais interessante passando na BusTv!
Então ambos desse para São Sebastiâo, um ônibus no sentido contrario passa, esta escuro e você nem o vê.
Na primeira parada você logo observa, sem nenhuma reserva, aquelas pessoas que moram no inicio da cidade, de cada ônibus descer.
E na hora da arrancada, um dos ônibus leva uma imprevisivel peixada de um carro incensevelmente acelerado, que não pode ao menos freiar, devido ao seu motorista embriagado estar (peixada é como os gauchos chamam uma batida de carro e esse motorista não foi parado naquela blitz antes citada).
Por uma ultima vez você ve sua conhecida injuriada, é provavel que não seja a ultima vez que a veja, na verdade é quase um fato comprovado, mas ela não é mais interessante, pobre coitada.
O mundo pede muito mais de você que essa efemera relação, não há motivos para se preocupar, o único morto é aquele motorista em questão.
Estou na quinta das minhas sete latas de ceveja, você não ira ver a tortidão de minhas letras, viva o advento da computação!
Maldita musica! Eu nem tenho coragem de postala! A bateria do celular acabou… que incoveniente, conveniente…
Mas quando escuto essa musica eu penso em tantas, mas tantas, que já não sei distinguir...
Que droga, já estou na minha decima segunda lata e não me sinto alterado, tenho que parar de beber...
É estranho conhecer nesse ponto uma desconhecida novidade...
Ela estranhou meus carinhos, devo ser estranho mesmo, mas ela achou meus olhos bonitos, que típico...
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